domingo, 19 de janeiro de 2014

A VERDADE SOBRE O 'ROLEZINHO'

 Entenda como tudo começou e como se transformou em polêmica


Foi assim: 6 mil jovens, a maioria deles com idade entre 14 e 17 
anos, responderam pelo Facebook a um convite para se reunir e ouvir 
funk ostentação – variante do ritmo que exalta o consumo e as roupas 
de grife – no estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, em 7 de 
dezembro. O shopping é o principal ponto de lazer da região. É ali que 
os adolescentes se encontram corriqueiramente, para ver os amigos, 
comer no McDonalds e ir ao cinema. 
Quando a reunião no estacionamento 
começou, a segurança do shopping tentou dispersar a garotada. Mas 
eles, em lugar de ir embora, rumaram para o interior do prédio. Quem 
lá estava pensou tratar-se de um arrastão, e a confusão se instalou. E 
os brasileiros ouviram falar pela primeira vez do rolezinho, um 

fenômeno cultural que ocorre rotineiramentena periferia deSPaulo então, havia passado despercebido. Depois da correria no 
Shopping Metrô Itaquera, tudo mudou. O rolezinho foi sequestrado 
ideologicamente e virou palavra de ordem. Radicais de um lado viram 
uma tentativa de integração forçada dos excluídos. Radicais do outro 
lado tomaram o grupo de jovens como uma ameaça social, um exemplo de 
baderna a ser contida – pela força, se necessário. A rigor, não se 
trata nem de uma coisa nem de outra.  

Os chamados rolezinhos são, antes de tudo, um fenômeno novo gerado
pelo poder de mobilização das redes sociais, que guardam algumas semelhanças com os protestos de rua que surpreenderam o país em junho do ano passado. Da mesma forma, envolvem muitas pessoas pacíficas e bem-intencionadas, mas também oportunistas que se escondem na multidão para transgredir. E é justamente pela sua ambiguidade que o movimento precisa ser tratado com cautela e racionalidade. O país precisa encontrar um caminho de convivência em que todos os direitos sejam respeitados – tanto o de ir e vir, ameaçado pelos defensores da repressão aos jovens, quanto o de desfrutar da ordem pública, garantido a todos os cidadãos. Os grandes centros de consumo foram idealizados justamente para oferecer conforto e segurança aos frequentadores, independentemente da sua condição social, da cor da pele ou do poder aquisitivo. São espaços privados de uso público, que não podem servir de palco para a segregação nem para a intimidação de ninguém. Ambas as ações são incompatíveis com os direitos humanos e com as garantias individuais asseguradas pela Constituição brasileira. Ninguém pode impedir que jovens e adolescentes oriundos da periferia frequentem os mesmos locais habitualmente frequentados por consumidores melhor situados na escala social.
Porém, em nome dessa almejada igualdade, não se pode aceitar que grupos de indivíduos promovam desordens, correrias e agressões que possam constranger ou colocar em risco a própria integridade e a de outras pessoas. O temor de arrastões também é compreensível, pois os brasileiros já viram repetidas vezes este filme. Mas nada justifica o preconceito, o cerceamento antecipado e muito menos a repressão violenta e indiscriminada, seja por parte de agentes privados, seja por policiais chamados a intervir. Condenável mesmo é a politização desse episódio de desfecho imprevisível. Em vez de tentar tirar proveito do fenômeno, como alguns já estão fazendo, integrantes do governo e da oposição deveriam dar exemplo de convivência civilizada, debatendo o tema com transparência e buscando soluções negociadas para eventuais impasses. O Brasil só será um país justo quando o diálogo vencer o medo, o ódio e o preconceito. 
Não devemos deixar que os políticos se apropriem desse legítimo direito de expressão para infiltrar seus baderneiros como também não devemos deixar que o preconceito incite ao ódio e ao medo. Sejamos racionais e tenhamos bom senso nessa questão. Cada caso é um caso, o que não se pode é restringir o acesso de pessoas em razão de sua cor, classe social, credo, orientação sexual e etc. Até porque, isso é crime previsto em lei. 

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